Morre mais uma vítima do esporte. Mais uma vítima do futebol.
Era Remo e Corínthias, apenas mais uma partida, apenas mais uma torcida, a última partida daquele campeão. Ele foi vítima do futebol, indiretamente, pois fora, na verdade, vítima da violência de uma sociedade violenta, não evoluída, ainda em construção.
"Não gosto do futebol" parece forte, não é mesmo? É apenas força de expressão. Mas essa é uma péssima sensação. Sempre foi. Apesar de ter várias pessoas, muitos amigos, que gostam, que são apaixonados pelo futebol, sempre olhei para o resultado que ele, infelizmente, por vezes, entrega para a sociedade.
O futebol que, lá dentro, verbaliza o RACISMO. Não consigo entender.
O futebol que, lá fora, externaliza a violência, a luta corporal, o sangue, a morte.
Torcidas organizadas, que sempre andam por aí. Brigas de torcedores em troca de não sei o quê. Talvez
Émile Durkheim saberia me responder.
Apito, corrida e bola. Tiro, porrada e bomba.
E não estou falando apenas de Brasil. A violência e impunidade está em todas as arquibancadas do mundo. Dentro e fora do grandão. De Mané Garrincha a Paris. Estádios onde se esperam espetáculos, emoção, a bola na rede, transformam-se em locais de vergonha e violência.
Sempre tive vontade de levar meu pai ao estádio, para ele assistir a uma partida do seu time do coração. Mas sei não.
Pensei até em convidar uns amigos da minha cidade para uma visita ao Mangueirão, inauguração, mas sei não.
O juiz apita. O jogador chuta a bola. Um torcedor briga. Um outro chama um goleiro de macaco. A torcida se agita. Um criminoso mata. A polícia entra em ação. O resultado de tudo isso sai na televisão: A impunidade se mantém. A justiça não se aplica. Uma família chora mais uma vida. Mais uma vítima da bola, digo, da ignorância de uma "nação".
Onde será a próxima briga? Quem será a próxima vítima?
Narrador, comentarista, jornalista, segue o jogo, apenas mais uma escalação.
Texto: Alan Jhefferson
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