Cadê o igarapé que estava aqui?

Sabe o igarapé? 

22 de março, Dia Mundial da Água. E, sabe aquele igarapé, pois é...


Pelo menos por agora, permita-me dizer "garapé". Pois era assim que chamávamos. 

Tínhamos muitos garapés. Mas não sabíamos que alguns 20, 30 anos depois, eles deixariam de existir. Pois a cidade cresceu, e a população transformou aqueles córregos em esgotos. Aqueles rios em canais. Aquele garapé, ali, já não está mais. Ele se foi. 

Ficou apenas em nossa memória, pois nem mesmo em fotos os temos mais. Se bem que não tínhamos tempo para fotos. 

Nem foto, nem Selfie, nem celular. Era apenas uma corrida, um escorrega, um tibum, um mergulhar.

Na verdade, naquela época só havia um fotógrafo na cidade, geralmente só se tirava o tal retrato em datas importantes, as crianças só tiravam foto em seu aniversário, e olhe lá.

Mas voltando, aquele garapé  morreu. Era uma das maiores aventuras que uma criança, naquela época,  poderia ter.

Qual criança não ia escondida tomar banho no garapé?

Ia com toda a coragem do mundo, e voltava com todo o medo da mãe. Disfarçar os olhos vermelhos era a missão.

Como elas não descobriam? 

Não sei. 

Mas quando descobriam, podia se preparar. Iamos dormir cedo, e nem era horário de verão. As costas ardendo, vermelhas, e nem era do sol. 

Na minha cidade, tínhamos o garapé da prainha, o garapé da barreira, o garapé do pneu.

E na sua cidade, qual é o seu igarapé, ou rio, que já não existe mais?

*Deixe seu comentário.


Canal do Barreiro, Belém-Pa 21-12-2025

Hoje, só resta lixo e poluição, um problema sério para a nova geração, que até agora, não conseguiu consertar.



Texto: Alan Jhefferson

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